FILHOS DO CORAÇÃO: O Lar Colmeia

FILHOS DO CORAÇÃO: O Lar Colmeia

Filhos do Coração

Chegamos à terceira matéria da série “Filhos do Coração”, com os olhares voltados para o Lar Colmeia. Instituição campo-bonenses que se difere dos abrigos, lá o trabalho é desenvolvido no Sistema de Casas-Lares, com um casal de pais sociais cuidadores, comprometidos com a criança até a sua vida adulta.

Às seis horas da manhã os despertadores começam a tocar. Após o café, elas se encaminham para as escolas, a maioria estuda próximo ao lar, então vai caminhando mesmo. Ao voltarem para casa, almoçam e ganham algumas horas livres que podem ser aproveitas brincando, assistindo TV, participando de alguma oficina, ou até mesmo dormindo. A rotina é igual a qualquer casa onde more uma criança ou adolescente, e esse é o objetivo: ser um lar, uma referência. 
A Associação Cristã Pró-Menor Lar Colmeia é uma Organização não Governamental, que acolhe a criança ou adolescente em situação de vulnerabilidade física, social e emocional, encaminhada pelo Poder Judiciário e que já tenham esgotado as alternativas de acolhimento na família biológica ou extensa naquele momento. 
Dividida em sete casas com no máximo dez acolhidos, onde pais sociais cuidam de 70 crianças e adolescentes que aguardam processo judicial. As mães sociais arrumam a casa, orientam as tarefas e principalmente amam. Isso mesmo, amam as crianças que por um curto (as vezes nem tanto) período de tempo sejam seus filhos. “A figura das cuidadoras é importantíssima, pois é uma referência para limites, que lá fora a criança pode ter perdido ou nunca ter tido. As cuidadoras são verdadeiras artistas. Elas têm o dom de dar amor àqueles que nunca viram isso na vida e amar como se fossem da sua família. Isso é uma dádiva”, revela Telmo Camargo, Diretor do Lar.

UM LAR PARA CHAMAR DE SEU

No Colmeia são acolhidas crianças de qualquer região do estado, com idade entre zero e doze anos incompletos. Atuando conjuntamente com a Rede de Atendimento de Proteção à Criança e ao Adolescente: Conselhos Tutelares, Conselho Municipal dos Direitos da Criança e Adolescente, Secretarias de Educação, Saúde e Assistência Social e Brigada Militar. 
A casa atualmente conta com 40 funcionários, entre psicólogos, técnicos de enfermagem e coordenadores. “Nossa estrutura é formada para que as crianças tenham a oportunidade de conviver em família, com respeito e troca. O que em muitos casos é novidade para eles. Aqui eles têm liberdade para serem crianças de verdade”, disse a Coordenadora Técnica Marlene Hoppe. 
De acordo com Marlene os jovens têm liberdade para decidir coisas simples, mas, que fazem toda a diferença. “Em abrigos/orfanatos, a rotina é mais rígida, fechada. Aqui não, eles abrem a geladeira, escolhem o que irão comer, afinal de contas, estão em casa né?!”.

A ESCOLHA

Segundo a pedagoga Arceli Schacht, Coordenadora Técnica do Colmeia, a maioria dos acolhidos são meninos de 7 a 12 anos, “ou seja, estão fora do perfil traçado pelos pais que aguardam pela adoção. Isso é um ponto que temos de debater muito ainda, a idealização do filho adotivo”, argumenta Arceli, que ainda completa, “Se você quiser adotar, existem crianças esperando por um lar. Só não existem crianças disponíveis para quem quer escolher. Se você estiver esperando um filho (de gravidez), não vai saber como ele virá ao mundo. Algum imprevisto pode acontecer. E você vai abandoná-lo por isso? Se as pessoas escolhessem menos, iriam sobrar famílias”, afirma.

PREPARADOS PARA O FUTURO

Se fica mais difícil ser adotado com o passar da idade, uma consequência disso é que alguns adolescentes acolhidos completam 18 anos em abrigos. O que acontece, então, com quem chega à maioridade sem ser adotado? A partir dessa idade, o jovem deve deixar o local, mas ele não é abandonado. “O Colmeia se tornou referência para todos que passaram por aqui. Eles voltam para tomar um chimarrão ou apenas dar um abraço na mãe social”, revela Camargo
Ainda segundo Camargo, a preocupação com o futuro dos acolhidos vai além dos laços afetivos cultivados durante a permanência no Lar, eles são preparados para o mercado de trabalho. “A casa acolhe jovens de até 12 anos, mas mesmo assim nos preocupamos com o futuro deles. Temos parceria com entidades como Senai, Senac, Projeto Pescar, empresas e outros, a fim de desenvolver habilidades e vocações na criança e no adolescente para que possam ser integradas à sociedade e ao mercado de trabalho. Despertamos no jovem o interesse profissional”. 
Ainda são disponibilizadas oficinas internas com voluntários, como computação, culinária, artesanato, música.


Créditos: Angélica Spengler/A Gazeta

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